Cerâmica Marajoara: a riqueza do artesanato da Região Norte do Brasil 33


A cerâmica marajoara, feita pelos indígenas da Ilha de Marajó, é a mais antiga dentre as artes em cerâmica do Brasil. Muito sofisticadas, as peças em cerâmica marajoara são altamente elaboradas, possuindo variadas técnicas de ornamentação. Dentre a produção, há uma grande diversidade de objetos como vasilhas, brinquedos, urnas funerárias, apitos, chocalhos, estatuetas e até mesmo tangas – ou tapa-sexo. São uma das maiores riquezas da cultura do Norte brasileiro, mundialmente reconhecida.



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Origem

A fase mais estudada e conhecida da produção da cerâmica marajoara compreende os anos entre 600 e 1200 depois de Cristo. Estudos arqueológicos mostram que a região da Ilha de Marajó, a maior ilha fluvial do mundo, localizada no Pará, foi ocupada há cerca de dois mil anos por agricultores e ceramistas oriundos dos Andes. A fase marajoara, marcada pela presença de objetos com acabamento muito detalhado em baixo ou alto-relevo, leva a crer que a região foi ocupada por grupos com razoável grau de organização e diferentes camadas sociais, agrupadas a partir de suas relações e valores culturais.

Cerâmica Marajoara

Vaso em cerâmica marajoara

A Cerâmica Marajoara

Os índios da Ilha de Marajó utilizavam o barro para confeccionar os objetos utilitários ou decorativos. Visando aumentar a resistência das peças, misturavam o barro com outras substâncias minerais ou vegetais, como pó de pedras ou conchas, cinzas de cascas de árvores ou de ossos e o cauixi (esponja gelatinosa que recobre as raízes submersas de árvores).

Urna funerária em cerâmica marajoara

Urna funerária em cerâmica marajoara

Os objetos possuíam formas semelhantes ao homem ou eram representações de animais. As peças eram acromáticas, ou seja, não possuíam cor na decoração, ou cromáticas. Nas peças cromáticas, utilizavam o englobe (barro em estado líquido) com pigmentos extraídos de alguns vegetais, como o urucum e o caulim, sendo as cores branca, vermelha e preta as mais utilizadas.

A decoração das cerâmicas marajoara era composta por traços gráficos harmoniosos e simétricos, cortes, aplicações, dentre outras técnicas. Depois de prontas, as peças eram queimadas em fogueiras ou buracos e eram finalizadas com breu do Jutaí, material que proporcionava um efeito brilhoso semelhante ao do verniz.

Vaso em cerâmica marajoara em detalhe

Vaso em cerâmica marajoara em detalhe (Foto: Adilson Karafa)

Atualmente, as peças de cerâmica marajoara podem ser encontradas em museus pelo Brasil e em Nova York e Genebra. O maior acervo encontra-se no Museu Emílio Goeldi, em Belém, no Pará. Infelizmente, muitas peças foram perdidas devido a saques e contrabandos.

Decendentes de indígenas da região mantém a tradição da cerâmica marajoara

Decendentes de indígenas da região mantém a tradição da cerâmica marajoara (Foto: Mila Petrillo)

Para incentivar o turismo e o comércio local na cidade de Icoaraci, próxima a Belém, diversos artesãos descendentes de índios tentam preservar e manter a tradição marajoara, fabricando réplicas da cerâmica, ajudando, assim, a divulgar os trabalhos indígenas e a preservar um dos maiores patrimônios culturais do Brasil.

 

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