Artesanato japonês: o período Heian


Enquanto o artesanato tem fama de arte menor em nosso país, no Japão é uma das formas mais prestigiadas de arte. Em razão de serem obras raras, peças únicas, e terem sido produzidas entre as classes mais altas, as peças artesanais dos japoneses gozam de grande reputação entre eles. No Brasil, pelo contrário, o artesanato é uma arte mais relacionada à vida em comunidade, de interesse mais turístico do que comercial; só recentemente vem sendo mais valorizado, por aqui, o caráter único desse tipo de produto artístico.

Por causa da riqueza da cultura japonesa, focaremos no período Heian, fase da história do Japão compreendida entre os anos de 794 e 1185.

KatanaQuando falamos em Japão, logo lembramos das famosas katanas, as espadas japonesas que eram manuseadas por ninjas (ou samurais), nos filmes. Pois as katanas eram denominadas koto, durante o período Heian, e tinham um modo todo especial de fabricação. Korehira Watanabe, um dos últimos artesãos especializados nessa arte, dedica-se ainda hoje a reproduzir essa técnica; embora seja impossível imitá-la com cem por cento de precisão, o desafio tem atraído esse profissional ao longo de quarenta anos de dedicação.

Também há espaço para formas menos complexas de artesanato, mas nem por isso menos delicadas: os amezaiku e as bonecas. Criados durante o período Heian, os belos e singelos amezaiku podem ser encontrados no Tempozan Market Place, em Ozaka. Como você bem pode observar pela foto, são uma espécie de confeito. Já as primeiras bonecos(as) japoneses(as) na verdade eram estatuetas de barro (Haniwa) encontradas em tumbas; no referido período Heian, eram confeccionadas com o objetivo de afastar demônios.

Amezaiku

Esses são os amezaiku.

Como eu disse antes, o artesanato japonês era considerado uma arte nobre. Tal informação pode ser comprovada pela própria palavra com que os japoneses se referiam a ele. Denominado koguei, vinha da junção das palavras ko (técnica) e guei (estética). Para os japoneses, isso significava um item único, especial, que não podia ser reproduzido sem perder a sua identidade –ao contrário daqueles que são fabricados em larga escala, nas indústrias por exemplo. Essa prática também estava associada, curiosamente, ao aperfeiçoamento espiritual do artista.

Exploraremos mais sobre o artesanato japonês em outros posts.

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